Por Simbarashe Basvi, Rotary Club de Ladner, Canadá

No dia 30 de abril, voltei à minha antiga escola primária, Chamukwenjera, em Manyene, no Zimbábue. Manyene é uma comunidade rural nos arredores de Chivhu, a cerca de 150 quilômetros da capital, Harare. A última vez que estive lá foi em 1989. Eu era um garoto e sonhava com um futuro que parecia frágil e distante.

Nessa viagem, entreguei cerca de 300 uniformes e algumas bolas de futebol, generosamente doados pelo Rotary Club de Ladner. A jornada foi um poderoso lembrete da razão pela qual o Rotary existe: para elevar o próximo, restaurar a dignidade e servir a humanidade.

A dura realidade da educação rural no Zimbábue

As famílias rurais no Zimbábue enfrentam imensos desafios no acesso à educação:

  • Muitas crianças percorrem longas distâncias a pé, frequentemente com o estômago vazio.
  • Os pais vendem animais ou colheitas para pagar taxas de exames ou comprar uniformes.
  • Algumas crianças abandonam os estudos porque a família simplesmente não tem condições de comprar materiais básicos.

As próprias escolas sofrem com a grave falta de recursos. Elas enfrentam:

  • Salas de aula com paredes rachadas e janelas quebradas.
  • Falta de carteiras, fazendo com que três ou quatro crianças tenham que dividir a mesma carteira.
  • Escassez de livros didáticos, com dez alunos às vezes compartilhando um único livro.
  • Falta de acesso à água ou a banheiros, o que compromete o saneamento básico e a dignidade.
  • Professores que vivem em habitações precárias, muitas vezes sem água ou eletricidade.

Apesar dessas dificuldades, os professores continuam a servir com dedicação e as crianças continuam a aprender com determinação. Sua resiliência é inspiradora.

Visitando a minha antiga sala de aula

Ao entrar na minha antiga sala de aula da sétima série, senti como se estivesse entrando em um momento congelado no tempo. As paredes eram as mesmas, as carteiras eram as mesmas — algumas delas eram as mesmas que usávamos na década de 1980. Havia também a mesma poeira, o mesmo cheiro de giz e o mesmo espírito de esperança nos rostos dos alunos que vi.

Eles estavam imersos em seu Programa de Estudos de Férias. Alguns estavam descalços. Muitos pareciam famintos. Mas seus olhos brilhavam, cheios de ambição e possibilidades.

Eu estava no mesmo lugar onde minha professora da sétima série costumava ficar, lembrando de como eu assinalava aqueles pequenos círculos nas provas – cada um deles uma pequena declaração de que meu futuro importava. Então, compartilhei com os estudantes que sua origem não precisa definir seu destino. Eles podem ter dúvidas e medos, mas essas não seriam as palavras finais. Algo de bom pode surgir de Chamukwenjera.

Reconexão pessoal

A viagem também me reconectou com a vida rural e seus muitos desafios. Busquei água em um poço artesiano a 5 quilômetros de distância usando um carrinho de mão, assim como muitas famílias fazem diariamente. Usei minhas habilidades para ajudar uma família a instalar um tanque de água, proporcionando-lhes uma fonte hídrica mais confiável. E colhi milho, amendoim e cereais em nossa horta familiar, um lembrete da importância da segurança alimentar.

Essas experiências me deram segurança, lembrando-me de que servir também envolve presença, empatia e humanidade compartilhada.

Reflexo dos princípios do Rotary

Embora a doação de uniformes de futebol possa parecer algo pequeno, em uma comunidade rural isso pode ter um impacto profundo. Vejo nosso projeto alinhado com muitos dos princípios e áreas de atuação do Rotary.

  • Apoio à educação e ao desenvolvimento comunitário. Os uniformes restauram a dignidade. Eles dão confiança às crianças. Contribuem para que se sintam vistas, valorizadas e incluídas.
  • Empoderamento da juventude. O esporte mantém os jovens engajados, disciplinados e focados. Ele os protege de influências nocivas, incluindo o crescente problema das drogas que afeta a juventude do Zimbábue.
  • Desenvolvimento econômico. Uma escola forte constrói uma comunidade forte. Quando as crianças permanecem na escola, todo o vilarejo se beneficia.
  • Promoção da paz. O esporte une. Ele fomenta amizades, trabalho em equipe e respeito mútuo, ingredientes essenciais para comunidades pacíficas.
  • Dar de Si Antes de Pensar em Si. Esta doação é uma expressão prática do lema do Rotary. É um ato que eleva o próximo, sem esperar nada em troca.
  • Criação de esperança no mundo. Esses uniformes não são apenas roupas; eles representam esperança.

Nossa doação ajudou a restaurar a dignidade, incentivou a frequência e a participação escolar, fortaleceu o orgulho da comunidade e apoiou os professores. Talvez, entre essas crianças, estejam futuros rotarianos, jovens líderes que um dia servirão suas comunidades com o mesmo espírito de generosidade.

Um futuro cheio de possibilidades

Sou imensamente grato a Mike Storey, meu companheiro de clube, que se empenhou ao máximo para conseguir os uniformes. Esta viagem também não teria sido possível sem a contribuição de todo o clube, cujos associados trabalharam na coordenação, no incentivo e no apoio logístico. Agradeço por acreditarem no valor do projeto.

Ao partir, senti uma mistura de orgulho e dor. Orgulho por tudo que já conquistamos. Dor por tudo que ainda precisa ser feito. Mas, acima de tudo, senti esperança. Esperança de que essas crianças, embora famintas, desprovidas de calçados e tendo que compartilhar livros didáticos, consigam, com determinação, reerguer-se. Esperança de que nossos pequenos atos se transformem em mudanças geracionais. Esperança de que o Rotary continue sendo um farol de dignidade, oportunidade e compaixão.

Voltar às minhas raízes me lembrou por que servimos: porque alguém, um dia, acreditou em nós. E agora é a nossa vez de acreditar neles.

Como estamos em época de Copa do Mundo, leia o que os Rotary Clubs estão fazendo para receber os visitantes e promover o Rotary.