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Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade (Declaração Universal dos Direitos Humanos – art. 1º.).
Por Cindy Howe e Kathryn Lucero, diretoras da DigDeep
O acesso à água limpa não é um privilégio – é um direito básico humano. No entanto, este direito não é uma garantia mesmo em países desenvolvidos como os Estados Unidos, onde mais de 2 milhões de pessoas vivem sem saneamento básico e água corrente. Esta crise permanece oculta, e em grande parte ausente na pauta das autoridades. Entretanto, aqueles que vivenciaram insegurança hídrica sabem muito bem que esta realidade afeta vidas, comunidades e o futuro como um todo.

Como diretoras da DigDeep, especificamente para os projetos Navajo Water e Colonias Water, sabemos que a falta d’água provoca uma reação em cadeia bastante negativa.

Cindy: Eu sou da Nação Navajo e vivi sem água encanada entre os 12 e 14 anos de idade. Minha família trazia baldes com água do lago Bluewater para o nosso consumo, a qual esquentávamos no fogão à lenha. Uma tia minha, como muitos idosos navajos, esperou décadas para ter água encanada. Só aos 72 anos ela passou a ter este conforto na sua casa. Ainda hoje, milhares de famílias navajos sem água encanada continuam dirigindo dezenas de quilômetros para buscar água a fim de suprir suas necessidades básicas.

Kathryn: Na infância, só me dei conta de que era anormal viver sem água encanada depois de saber que outras crianças tinham este “luxo”. Logo que comecei a trabalhar eu conheci a Diana, e soube que durante uma reunião sobre assuntos hídricos, ela falou que seus filhos sofriam bullying na escola por não tomarem banho regularmente, ao que um membro do conselho disse que ela “deveria se informar”. E foi exatamente isso que ela fez. A Diana acabou descobrindo como garantir água para a sua comunidade. Histórias como essa mostram que a luta por direitos humanos básicos não se trata apenas de infraestrutura – trata-se de dignidade, oportunidade e quebra do ciclo da pobreza.
É fácil presumir que nos Estados Unidos as pessoas que não dispõem de fornecimento de água vivem assim por terem optado morar em lugares remotos. Mas isso não é verdade. Muitas famílias que atendemos moram em lugares que ficam a poucos minutos de uma cidade ou de um local totalmente atendido pelo serviço de água e saneamento. Estas famílias usam penicos para suas necessidades fisiológicas e baterias de carro para alimentar as bombas d’água. São pessoas engenhosas que dedicam inúmeras horas para buscar e armazenar água, tempo esse que poderiam investir para criar seus filhos, trabalhar, se divertir ou simplesmente descansar.
Entre a população navajo, mais de 30% das residências não têm água encanada nem vaso sanitário com descarga. No Texas, as comunidades chamadas de colônias estão aguardando há décadas o cumprimento da promessa do fornecimento de água, o que não aconteceu até hoje. A crise hídrica não se limita a essas áreas. Da zona rural dos Montes Apalaches até o vale de San Joaquin Valley, na Califórnia, milhões de americanos vivem sem água potável, geralmente em comunidades de baixa renda formadas por minorias onde a negligência sistêmica os tornou invisíveis.
A boa nova é que podemos resolver essa crise. Nós, da DigDeep, facilitamos o acesso de milhares de famílias à água limpa e corrente por meio de projetos comunitários. Fazemos isso ouvindo as pessoas mais afetadas e convidando-as a participar do processo de criação de soluções. Nós jamais fazemos promessas que não podemos cumprir. Quando dizemos que faremos algo, nós realmente fazemos.
Por ocasião deste último Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, nós convidamos você a fazer parte da solução.
Água é vida. Água é dignidade. O acesso à água é uma promessa que devemos cumprir.
Cindy Howe é a diretora do projeto Navajo Water, e Kathryn Lucero, do projeto Colonias Water.
O Rotary Club Itapema, filiado ao Rotary Club Internacional, foi fundado em 01 de outubro de 1.988, tem sua sede na Rua 406-B, 722, no bairro Morretes, na cidade de Itapema, Estado de Santa Catarina.