Por Safia Elaadmi , Rotary Club de Agadir, Marrocos

Safia Elaadmi, à direita, com uma companheira rotaractiana no Marrocos.

Minha transição do Rotaract para o Rotary nunca foi realmente uma transição. Foi uma continuação. Para mim, servir não começou com um título. Começou muito antes.

Quando eu era mais nova, às vezes participava de atividades organizadas por Interact Clubs com meus amigos. Eu não era oficialmente associada, simplesmente gostava de fazer parte daqueles momentos de generosidade. Na época, eu não entendia direito, mas me lembro da sensação: ser útil, estar conectada e fazer parte de algo significativo. Essa sensação permaneceu comigo.

Anos mais tarde, pouco antes de sair do Marrocos para estudar no exterior, tive meu primeiro contato real com o Rotaract. Embora breve, aquilo me marcou. Descobri um espaço onde serviços humanitários, amizades e crescimento pessoal se uniam naturalmente.

Quando voltei para o Marrocos, sabia que não queria apenas participar. Queria construir algo significativo. Ajudar a fundar o Rotaract Club de Agadir Atlantique tornou-se um dos passos mais marcantes da minha jornada. Isso me desafiou de maneiras que jamais imaginei e me permitiu transformar ideias em ações com impacto real, servindo ao lado de pessoas que compartilhavam do mesmo propósito.

O que encontrei no Rotaract foi muito mais do que a oportunidade de servir. Foram as amizades que fiz por meio do servir. Você se associa para ajudar os outros mas, ao longo do caminho, descobre a si mesmo. Você cresce, ganha confiança e constrói relacionamentos que são como uma família, não importa onde você esteja no mundo.

Conforme minha jornada se desenvolvia, descobri a dimensão internacional do Rotaract. Lembro-me de estar cercada por pessoas de diferentes países, falando diferentes idiomas e, ainda assim, me sentir completamente em casa. Esses momentos me fizeram perceber que o servir não tem fronteiras.

Ao longo do caminho, assumi mais responsabilidades apoiando iniciativas em nível distrital e, mais tarde, contribuindo para conexões em todo o Mediterrâneo. Cada experiência me impulsionou a crescer não só como líder, mas também como pessoa, e me ajudou a compreender o que significa fazer parte de um movimento global de pessoas em ação.

Safia Elaadmi, à esquerda, de verde, com associados do Rotaract Club de Agadir Atlantique.

Ao mesmo tempo, meu caminho naturalmente me levou para mais perto do Rotary. E, honestamente, não senti como se estivesse entrando em algo novo — eu me senti em casa. O Rotaract hoje não é separado do Rotary, mas sim parte dele. Os valores são os mesmos. O espírito é o mesmo. E, o mais importante, as pessoas já estão lá. Os associados do Rotary estão sempre presentes, convidando, apoiando, orientando e abrindo portas que nem sabíamos que existiam.

A transição não pareceu uma mudança. Foi como voltar para casa. Os rotaractianos não devem se sentir intimidados pelo Rotary. Você não precisa “estar pronto” para participar. O Rotary não é distante nem reservado para o futuro. É um espaço onde suas ideias podem crescer, seu impacto pode se expandir e sua jornada pode continuar.

Uma coisa que fez toda a diferença para mim foi simplesmente estar presente. Comparecer às reuniões, participar de projetos ou de seminários me fez perceber que o Rotary não era algo fora do meu mundo; era uma continuação natural de tudo o que eu já fazia no Rotaract. Às vezes, basta uma reunião para perceber que você já pertence àquele lugar.

Ao prosseguir com minha jornada como presidente do Rotary Club de Agadir, percebo ainda mais claramente o quão poderosa é essa conexão. O Rotaract traz energia, inovação e ideias ousadas. O Rotary traz experiência, orientação e visão de longo prazo. Juntos, eles criam algo verdadeiramente impactante.

Essa jornada mudou a minha vida. Ela me deu um propósito, não só para crescer pessoalmente, mas também para fazer a diferença na vida de outras pessoas. Isso me proporcionou boas memórias, conexões significativas e uma família global na qual posso confiar aonde quer que eu vá.

Entrar para o Rotary não significava mudar quem eu era; significava me tornar mais aquela pessoa que eu já havia começado a ser — alguém comprometido a servir, doar e causar mudanças positivas no mundo.

Eu diria a qualquer rotaractiano: sua jornada não termina aqui, ela evolui. Você não está deixando nada para trás. Você está simplesmente continuando sua jornada.

Rotaract e Rotary não são dois caminhos diferentes; fazem parte da mesma história. E eu tenho orgulho de fazer parte dela!