Por Glenda Dela Cruz, Rotary Club for Global Action

Membros do NRDC

Quando voltei para as Filipinas depois de morar no Canadá, pensava que o motivo desta volta era para cuidar melhor do meu filho. Não imaginei que acabaria abraçando uma missão e o Rotary me daria um recomeço. Por meio do Rotary, o voluntariado passou a ser o meu caminho para a cura e me deu um propósito.

Fui adotada e levada para o Canadá ainda na pré-adolescência. Virei mãe antes de me sentir preparada, sobrevivi à violência doméstica e, por fim, passei a cuidar do meu filho depois que ele foi diagnosticado com esquizofrenia.

No começo, me sentia perdida, confusa e cheia de incertezas nas Filipinas. Depois de deixar para trás a vida que passei anos construindo no Canadá, me peguei perguntando: “O que eu vim fazer aqui?”. Foi aí que o Rotary surgiu na minha vida.

O servir tornou-se parte da cura

Entrei para o Rotary por saber que precisava fazer algo significativo, numa época em que a minha ansiedade estava nas alturas e eu estava sem esperanças.

O Rotary me deu a oportunidade de me conectar com pessoas e ouvir suas histórias. Nestes encontros, descobri o que eu tinha a oferecer.

Comecei a entender que o servir não se resume apenas no que oferecemos. O servir desperta algo dentro de nós, e comigo não foi diferente.

Tudo começou com as mães

Em 2022, durante o ano que presidi o Rotary Club de Tiaong-Hiyas, lançamos um desafio de saúde de 12 semanas para as mães da nossa comunidade. No final, elas fizeram uma pergunta simples: “O que virá a partir de agora?”. Elas não queriam que as conexões, encorajamento e sensação de pertencimento que viveram em grupo tivessem fim.

E eu as ouvia com atenção. Aquele tipo de pergunta levou à abertura do Núcleo Rotary de Desenvolvimento Comunitário (NRDC) Ilaw ng Tahanan, formado por pessoas de fora do Rotary que trabalham com rotarianos em mudanças locais positivas.

Ilaw ng Tahanan acabou se tornando mais do que um grupo comunitário. Tornou-se um círculo de mulheres que se reuniam para aprender, refletir e crescer juntas.

Mães que no início eram mais reservadas começaram a contar suas histórias, a se apoiarem mutuamente e a se destacarem como líderes comunitárias. À medida que elas estreitavam laços de amizade, seu senso de pertencimento e confiança aumentavam. Percebi que eu também estava experienciando essas descobertas.

Hoje, aquelas mães são o coração pulsante do NRDC de Tiaong, nas Filipinas. O centro oferece atividades que promovem alfabetização emocional, bem-estar mental, relacionamentos saudáveis e paz. Criamos espaços onde mães, crianças e jovens possam se expressar sem receio, sejam ouvidos e descubram seus pontos fortes e valor.

O NRDC em ação.

A paz têm início com a escuta ativa

Minha experiências como cuidadora do meu filho me ensinaram que problemas mentais não são uma mera questão de saúde. São uma questão de paz.

O conflito não surge apenas entre países ou grupos. Ele pode surgir no íntimo de uma pessoa que se sente sobrecarregada, ignorada ou sozinha. Pode crescer dentro dos lares quando os membros da família não sabem expressar o que sentem nem ouvir uns aos outros.

Tenho visto como emoções não demonstradas e necessidades não atendidas prejudicam relacionamentos domésticos. Por isso, a construção da paz é algo profundamente pessoal para mim.

A paz pode começar quando uma mãe se sente apoiada em vez de julgada; quando um jovem se sente seguro o suficiente para pedir ajuda; quando uma família aprende a ouvir antes de reagir; quando uma comunidade escolhe a compaixão em vez do silêncio.

Essa compreensão conecta nosso trabalho ao compromisso do Rotary de fomentar a paz.

Meu sonho para todas as mães

Sonho com comunidades onde nenhuma mãe ache que precisa carregar o fardo das responsabilidades sozinha. Onde as mães se sintam vistas, ouvidas, apoiadas e valorizadas, ficando em posição de se dedicar mais plenamente à família e comunidade.

Quero que todas as mães tenham espaços para se expressar, aprender e tomar consciência do seu valor. Pedir apoio não é fraqueza; é o primeiro ato de coragem.

O Rotary me dá forças para seguir em frente — não porque a prestação de serviços elimine todas as dificuldades —, mas porque sei que até mesmo nossas experiências mais dolorosas podem se tornar caminhos rumo à conexões genuínas que dão sentido à vida.

Por meio do voluntariado, continuo encontrando cura e sentido. De muitas maneiras, encontrei no Rotary o meu caminho de volta para casa.

Você também teve uma experiência com o Rotary que lhe deu apoio e aquela certeza do seu valor? Conte abaixo para nós como foi esta experiência.


Glenda Dela Cruz aplica seu compromisso com a paz e o bem-estar como membro da Cadre da Fundação Rotária. Veja como criar mudanças duradouras com a Cadre.