Eli Hauber com crianças em Uganda durante seu estágio na All We Are.

Por Eli Hauber, associado do Rotaract Club de UNC Chapel Hill, Carolina do Norte, EUA

O Rotary tem uma maneira engraçada de encontrar você, e não o contrário. Ele vai até onde você está, sorri, estende a mão e te dá um grande abraço.

Eu tinha 16 anos quando recebi esse grande abraço.

Com dificuldade para me adaptar ao ensino médio, eu estava mudando quem era para me encaixar. Meus colegas me fizeram acreditar que liderança significava falar alto. Estar na frente da sala. Ter resposta para tudo. Mas quando criei um Interact Club, o Rotary me apresentou a um tipo diferente de liderança: o tipo silencioso, de quem ouve antes de falar. O tipo que prioriza dar de si antes de pensar em si e mede o sucesso não pelos aplausos, mas pela motivação que desperta nos outros.

Não estávamos mudando o mundo — pelo menos, ainda não. Estávamos reciclando frutas, abastecendo bibliotecas, aprimorando nossa capacidade de coordenar projetos e apoiar o próximo. O Interact é como uma criança aprendendo a andar de bicicleta. É confuso e imprevisível, mas é a semente — cheia de potencial. É onde os sonhadores podem traçar grandes planos e transformar o improvável em realidade.

Tudo o que minha semente precisava era de um pouco de chuva e sol.

Meu primeiro RYLA foi tudo isso e muito mais. Acho impossível explicar o quanto o programa mudou minha vida e como ele foi um ponto de virada na minha trajetória. Cercado por pessoas como eu, descobri que havia um lugar para mim no mundo. Um lugar onde eu não precisava temer o fracasso ou o julgamento. Um lugar onde a minha melhor versão poderia começar a tomar forma.

Quando voltei como conselheiro e, por fim, como codiretor, vi novos líderes passarem pela mesma transformação. Ao enxergar neles o meu eu mais jovem, percebi que a magia do RYLA não desaparece após a cerimônia de encerramento. Ela permanece em cada ato de gentileza, em cada momento de coragem e em cada vez que nos doamos. A magia está no efeito cascata que transforma quatro dias em um impacto que dura a vida toda e, silenciosamente, muda o mundo.

Na UNC Chapel Hill, o Rotaract se tornou meu próximo laboratório de impacto, onde conheci o ecossistema global das ações do Rotary. Irmãos e irmãs unidos em torno de uma causa. Por meio do programa de mentoria do meu clube, conheci Nathan Thomas, ex-governador de distrito e fundador da All We Are, uma organização não governamental que trabalha para tornar a energia sustentável mais acessível e barata em Uganda. Uma coisa levou à outra e, em pouco tempo, eu estava em um avião rumo à África.

Hauber instala painéis solares durante seu estágio na All We Are em julho de 2024.

Passei um mês vivendo, trabalhando e suando sob o sol equatorial, ajudando a instalar sistemas solares em escolas rurais e clínicas de saúde. Viajando sozinho por uma das regiões mais pobres do país, fui cercado por uma realidade que removeu todos os filtros atrás dos quais eu sempre vivi.

Durante meus passeios matinais de moto pelas aldeias rurais, eu observava a névoa se dissipar sobre a selva e me perguntava como poderia resolver tudo ao meu redor. Minha mente corria em busca de uma resposta que simplesmente não existia. Mas, em algum lugar entre as risadas das crianças que corriam ao meu lado, encontrei a resposta: a All We Are.

Sozinho, nunca serei capaz de remediar o que está errado. Não porque não me importo o suficiente ou porque não falo idiomas suficientes, mas porque essa tarefa não é minha. É nossa. O Rotary é um lembrete constante de que o impacto sustentável nunca é uma ação individual. O progresso é impulsionado pelas pessoas, pelo coletivo, por indivíduos unidos que escolhem agir, se importar e seguir em frente quando o caminho fica difícil.

Essa lição se tornou o cerne do From Here to Human, uma iniciativa de contação de histórias que desenvolvi mais tarde para promover a paz por meio do diálogo. Eu queria ampliar o espírito de conexão do Rotary, incluindo a voz de pessoas comuns, para revelar os laços invisíveis que unem a humanidade. Seja com um músico de rua em Paris ou um pastor na Costa Rica, continuo encontrando a mesma verdade: nós, os habitantes da Terra, somos muito mais parecidos do que diferentes. Queremos nos sentir vistos, ouvidos e amados. Queremos experimentar a paz, pertencer, ser felizes. E são essas coisas que importam.

Quando investimos nas próximas gerações, quando ouvimos, orientamos e damos uma chance a elas, não estamos apenas formando líderes. Estamos moldando o futuro do nosso planeta, construindo pontes entre gerações, nações e povos que, em breve, liderarão a busca global pela paz.

O Rotary não me deu apenas oportunidades. Ele me deu uma crença inabalável de que nenhum obstáculo é intransponível quando nos unimos para fazer o bem.