Com um plano ousado e foco em diversidade geracional, Mário César Martins de Camargo assume a presidência do Rotary Internacional com a missão de engajar novos líderes e dar cara nova à organização centenária.

Rejuvenescer para continuar relevante. Esse é o principal objetivo do brasileiro Mário César Martins de Camargo, que assume, em julho, a presidência do Rotary Internacional. Em um momento em que o voluntariado se reinventa e a competição entre ONGs pela atenção das novas gerações se intensifica, Mário César quer transformar o Rotary em uma organização mais aberta, moderna e atrativa para jovens entre 28 e 48 anos.

Dia do Rotaract na ONU em Genebra, Suíça. Outubro de 2024.

“Essa faixa etária representa um grupo que já ocupa espaços de liderança, que está formando família, empreendendo, influenciando decisões. São eles que queremos conosco para manter a vitalidade do Rotary pelas próximas décadas”, explica. Com uma média etária atual de 62 anos entre o 1,2 milhão de associados no mundo, o desafio está lançado — e o novo presidente acredita que o caminho passa por escuta ativa, linguagem mais acessível, flexibilidade e presença estratégica nas redes sociais e em grandes fóruns globais, como a COP30, que acontece este ano no Brasil.

Filho de rotarianos e empresário do setor gráfico, Mário César cresceu em contato com os valores do Rotary. Seu histórico pessoal combina inovação, espírito associativo e experiência em diferentes áreas — elementos que o colocam em posição privilegiada para conduzir essa virada. Em entrevista ao blog especializado em ESG, Papo Reto, ele defendeu um modelo de gestão mais leve, com reuniões híbridas, menos formalidade e mais conexão com as pautas que importam à juventude, como justiça social, sustentabilidade e impacto comunitário.

Uma das dores do atual modelo está justamente na retenção dos jovens que passaram por programas como o Rotaract ou intercâmbios educacionais promovidos pelo Rotary: apenas 1 em cada 20 segue envolvido com a organização. “É uma perda enorme de talento, de energia e de potencial transformador”, afirma. O objetivo agora é inverter essa curva, começando pela mudança de cultura interna — onde os mais jovens não só sejam bem-vindos, mas também protagonistas.

O Brasil, que já conta com 51 mil associados e 2,8 mil clubes, terá papel fundamental nessa renovação. Com forte presença no sul global, o Rotary enxerga oportunidades especialmente na Índia e no continente africano. “São regiões com alta densidade populacional e um contingente expressivo de jovens — é ali que está o futuro do Rotary”, reforça Mário César.

Se depender da nova liderança, o Rotary está pronto para se conectar com as próximas gerações — e construir, junto com elas, um mundo mais justo e sustentável.